Bolinha no ânus da criança: o que pode ser. Plicoma e outras causas.

Você estava passando pomada depois do banho e sentiu com o dedo. Uma bolinha, uma dobrinha, um caroço. Ou já estava ali há tempos, e nunca houve motivo para você olhar aquela região.

A primeira coisa que a cabeça faz é procurar no celular. E o que aparece fala de hemorroida, de trombose e de cirurgia do intestino grosso em gente grande.

Sou cirurgiã pediátrica e cuido de constipação infantil. Boa parte das bolinhas no ânus da criança que chegam ao consultório tem origem no banheiro. Aqui estão as que aparecem com mais frequência, o que cada uma muda, e quais delas não esperam a consulta marcada.

Antes de tudo: o que é para agora, o que é para hoje e o que é para a consulta

Quando procurar diante de uma bolinha no anus da crianca: pronto-socorro agora, atendimento hoje e consulta marcada

Quem examina a criança é quem decide. Nada aqui substitui esse exame, e boa parte do que se separa nessa região se separa olhando, tocando e perguntando na mesma consulta. O que a lista abaixo faz é ajudar você a decidir quando procurar, sem tentar dizer o que a bolinha é.

Pronto-socorro agora

  • Vômito esverdeado, em qualquer idade, mesmo sem mais nada junto.
  • Barriga distendida e tensa, com recusa de alimento ou com vômito.
  • Criança que parou de evacuar e está visivelmente mal.
  • Região do ânus vermelha, quente e inchada, com febre alta ou com a criança prostrada.
  • Uma bolinha que saiu com o esforço e não voltou sozinha ao lugar.
  • Sangramento abundante, que encharca a fralda ou a roupa.
  • Sangramento de qualquer volume num bebê nos primeiros meses de vida.

Atendimento hoje

  • Caroço que ficou vermelho, quente e dolorido e cresceu em um ou dois dias.
  • Saída de pus ou de secreção por um orifício perto do ânus.
  • Dor forte e contínua na região, que continua depois de a criança evacuar.

Consulta nas próximas semanas

  • Uma dobrinha de pele indolor, que não muda de tamanho de um dia para o outro.
  • Uma bolinha que aparece quando a criança faz força e se recolhe depois.
  • Um orifício, uma covinha ou um tufo de pelos na linha do meio, perto do fim da coluna.
  • O ânus que parece fora do lugar, mais para a frente do que o esperado, ou com uma cicatriz.
  • Uma pelinha indolor num bebê nos primeiros meses de vida.
  • O filete de sangue vivo no papel numa criança maior, que pede consulta sem pedir pronto-socorro.

Se a sua criança está na lista das próximas semanas, o tempo que você tem se conta em semanas. Ele serve para chegar à consulta com a história inteira, que é o que o resto daqui ajuda a montar.

A bolinha não é o problema. É a consequência dela

Ciclo que produz a bolinha no anus da crianca: coco endurecido, dor, retencao e nova ruptura, ate a borda formar uma dobra de pele

Na maior parte das vezes, o que a sua mão encontrou ali é a marca que uma ferida deixou ao cicatrizar. E a ferida veio de um cocô que passou endurecido.

A sequência costuma se repetir assim, e ela acontece no banheiro, longe de onde você está olhando. Um cocô duro passa e rasga a região. A criança sente, e o corpo aprende a evitar o que dói. Segurando, o cocô fica mais tempo no reto, a água é reabsorvida, ele endurece mais. Na vez seguinte rasga de novo, quase sempre no mesmo lugar.

Falta a parte que raramente aparece explicada: por que esse corte demora tanto a fechar. O músculo do esfíncter, por dentro, reage à ferida contraindo mais do que deveria, e essa contração a mais reduz a chegada de sangue justamente onde a ferida está. Uma ferida que recebe menos sangue cicatriza pior. O corpo aperta o lugar que precisava relaxar para curar.

Esse mecanismo está descrito na diretriz de cirurgia colorretal, construída com literatura de adultos. A anatomia e o comportamento dessa musculatura são, no essencial, os mesmos na criança. A frequência com que cada coisa acontece não é, e os prazos que aquela literatura usa servem de referência, sem valer como régua para uma criança.

É por isso que a história de casa é a de uma ferida que quase fecha, dói menos por alguns dias, e abre de novo na primeira vez que o cocô sai endurecido. Entre uma abertura e outra a inflamação se arrasta, e a borda externa da ferida forma uma dobra de pele que fica.

Quem trata essa região olha para essa dobrinha e lê o que aconteceu no banheiro nas últimas semanas. É informação, e é uma informação que você tem em casa antes de qualquer exame. Pelo tamanho e pela borda, o que se lê ali é repetição: uma fissura única e recente não deixa esse tipo de marca.

Isso também muda o que fazer com o achado. Cuidar da pele resolve a pele. O cocô que produziu a ferida continua saindo do mesmo jeito, pelo mesmo lugar.

Por que ela apareceu agora, se as coisas até melhoraram

Essa é a pergunta honesta, e é a que eu faria no lugar de qualquer mãe. Se o cocô do meu filho está melhor, por que apareceu uma bolinha agora?

Quase sempre porque o achado é antigo, e o encontro é que é novo. Essa diferença muda o susto que você levou.

Essa região sai da rotina de quem cuida assim que a criança desfralda. O achado só aparece quando alguém passa pomada, quando a criança reclama, ou quando algo chama atenção durante o banho. Não é raro que a dobra de pele já esteja ali há meses, formada numa época pior do que a atual.

E há uma segunda razão. A dobra de pele é o que sobra depois que a inflamação cede. Enquanto a ferida está aberta e doendo, o que se vê é vermelhidão e o corte. A dobrinha fica mais nítida justamente quando a fase aguda passa, porque o inchaço em volta dela diminuiu. Encontrá-la num período de melhora é comum, e isso não dispensa mostrá-la a quem examina.

Ela é o registro de um ciclo que funcionou por tempo suficiente para deixar marca. O que vale perguntar na consulta é se esse ciclo está parado ou apenas mais lento.

O plicoma: a dobrinha que fica depois que a ferida fecha

A dobra de pele na borda do ânus tem nome. Chama-se plicoma, e quando nasce ao lado de uma fissura recebe o nome de plicoma sentinela, porque fica de sentinela na entrada do corte.

Na literatura de adultos, a fissura com menos de seis semanas de sintomas é chamada de aguda, e tem o aspecto de um corte no sentido do comprimento. Quando os sintomas se arrastam para além disso, é comum aparecerem os sinais de que a ferida virou crônica: uma papila aumentada mais para dentro do canal, o plicoma na borda de fora, e o músculo do esfíncter visível no fundo do corte. Esse corte de tempo é referência, e em criança quem julga é quem examina.

Duas coisas sobre o plicoma, depois que quem examinou confirmou que é isso que a criança tem.

Fissura anal
Plicoma anal

A primeira é que ele costuma ficar. Mesmo depois que a fissura fecha, a dor vai embora e o cocô volta ao normal, a dobrinha de pele permanece. O que resta ali é textura de cicatriz. Encontrar a dobrinha meses depois do tratamento não significa que o tratamento não funcionou.

A segunda é que ele é indolor. A dor dessa região vem da fissura aberta, do espasmo do esfíncter ou de uma infecção, e quem separa uma coisa da outra é quem examina a criança. O que a ausência de dor não autoriza é esperar: um achado indolor continua sendo motivo de consulta.

O texto sobre a fissura em si, com as duas fases da dor, o ciclo que ela alimenta e as três frentes do tratamento, está em fissura anal infantil. Aqui o assunto é o achado que você encontrou.

O que mais pode ser, e o que cada um muda

Cinco achados que produzem bolinha no anus da crianca e o que cada um muda na avaliacao

Nem tudo o que aparece ali é o recibo de uma fissura. A distinção importa porque o que cada achado pede é diferente, e porque a palavra que você vai usar na consulta muda o que o médico procura.

Antes da lista, uma orientação de leitura que serve para todas elas. Três coisas separam quase tudo o que aparece nessa região: a cor, a temperatura e o comportamento no tempo.

Uma dobra de pele tem a cor da pele em volta, a mesma temperatura do resto e não muda de um dia para o outro. Um caroço que inflamou fica mais vermelho, mais quente ao toque, e muda de tamanho depressa. E um achado que aparece e some conforme a criança faz força se comporta de um jeito que nenhum dos outros dois faz.

Essas três leituras são de observação, e nenhuma delas exige tocar em nada que a criança não queira que se toque. O que você vê durante uma troca de roupa já basta.

Você não precisa chegar ao diagnóstico com isso. Precisa chegar à consulta sabendo em qual desses três quadros o achado do seu filho se encaixa, porque é essa informação que a foto não dá e a memória perde.

A bolinha que aparece na força e se recolhe depois. Uma saliência avermelhada, de aspecto úmido, que surge quando a criança faz força para evacuar e se recolhe logo depois. É o prolapso retal: parte da mucosa do reto se exterioriza com o esforço e volta ao lugar.

Ele é consequência do esforço repetido para evacuar, de modo que a pergunta que ele abre é sobre o cocô e sobre quanto o seu filho precisa empurrar para conseguir. O que muda o prolapso é mudar o esforço, e por isso ele pede avaliação nas próximas semanas, sem virar assunto de daqui a seis meses.

O caroço vermelho, quente e doloroso que cresceu depressa. É, desta página, o achado que mais vezes é para o mesmo dia. Uma coleção de pus perto do ânus dói de forma contínua, deixa a região quente ao toque e pode vir com febre. Se a febre for alta ou a criança estiver prostrada, o degrau sobe: é pronto-socorro.

Há um detalhe que o separa bem da fissura: na fissura a dor tem hora marcada, cresce na evacuação e cede depois. Aqui a dor continua depois de a criança evacuar, e muitas vezes piora ao sentar. Mesmo depois que essa coleção esvazia, às vezes fica um trajeto por onde continua saindo secreção nos dias seguintes.

O orifício perto do ânus por onde sai secreção. É a fístula perianal, um dos achados que fazem a investigação sair do intestino. O motivo é direto: uma fístula não é o que um cocô endurecido produz. A pergunta passa a ser outra, e é uma pergunta que se responde com avaliação no mesmo dia, porque secreção saindo por ali entra no degrau do atendimento de hoje.

A hemorroida. É o que quase todo resultado de busca vai falar, e é o achado menos provável numa criança. Ela é rara o bastante para que, quando aparece em idade pediátrica, a própria avaliação da constipação passe a olhar além do ânus. Se a palavra hemorroida já apareceu em casa, ela cabe melhor como pergunta na consulta.

Os achados que apontam para fora do intestino. Um ânus que parece fora da posição, mais para a frente do que o esperado. Uma cicatriz onde não houve cirurgia. Uma covinha ou um tufo de pelos na linha do meio, bem perto do fim da coluna. Uma alteração da pele na mesma linha.

Nenhum deles é uma bolinha comum, e nenhum deles tem relação com o cocô da semana passada. Todos entram no exame físico de uma criança com constipação, nas tabelas da diretriz europeia e americana e do manual de medicina de família, e todos apontam para a coluna ou para a formação do ânus, que é o território descrito na literatura cirúrgica de malformações anorretais. São achados de consulta marcada, com uma ressalva: consulta marcada quer dizer semanas.

Por que eu examino essa região numa consulta de constipação

Isso costuma surpreender as famílias, e é um dos motivos para você levar o achado à consulta.

Quando eu examino uma criança por constipação, eu olho o períneo e a região perianal procurando fissuras e plicomas. É um dos itens do exame físico no manual americano de medicina de família que orienta essa avaliação, e o que se vê ali muda a interpretação de tudo o que a família contou antes.

Na mesma avaliação entram a posição do ânus, os reflexos da região, as covinhas e tufos de pelo na coluna, os sinais de pele na linha média, o calibre das fezes e o crescimento da criança. São coisas que se olham numa consulta em que a família achava que ia falar só sobre cocô, e elas estão lá porque várias causas de constipação na infância não estão no intestino.

Uma fissura muito grande ou muito profunda muda o que quem examina passa a investigar, e isso está registrado na via clínica publicada em 2026 pela associação americana de gastroenterologia e pela sociedade norte-americana de gastroenterologia pediátrica. Ela abre outra conversa dentro da consulta, e é uma das razões pelas quais essa avaliação se faz com a criança na sala.

Em parte das crianças, a fissura está ligada a alergia à proteína do leite de vaca, o que a mesma via registra. É mais um motivo para o achado ser lido dentro da história completa da criança, com o que ela come, como ela evacua e há quanto tempo isso vem acontecendo.

Operar ou não operar

Aqui vai uma resposta direta, e ela contraria boa parte do que você provavelmente leu antes de chegar aqui.

O que se encontra escrito sobre plicoma foi escrito para o corpo adulto: cauterização, laser, cirurgia. Numa criança, a dobrinha de pele que sobrou de uma fissura cicatrizada raramente pede qualquer procedimento.

O plicoma já confirmado é indolor, estável, e não atrapalha a evacuação. O que pede atenção é o que o produziu, e isso se trata sem bisturi: fezes macias todos os dias, por tempo suficiente para a ferida fechar e para ela não abrir de novo na semana seguinte.

Eu opero crianças, e digo isso com todas as letras: diante da dobrinha indolor de uma criança cujo intestino está sendo tratado, não há indicação cirúrgica.

E o contorno dessa afirmação precisa ser dito, porque honestidade sem limite vira slogan. Existem situações em que a conversa cirúrgica existe: quando o achado não é o que parecia e o diagnóstico segue em aberto depois do exame, quando a fissura segue sem fechar apesar de meses com as fezes macias, quando a dobra é grande a ponto de atrapalhar a higiene da criança de verdade, ou quando há uma fístula em jogo. Nesses casos a conversa começa com um exame, feito por quem vai indicar.

Há um efeito colateral que precisa ser nomeado. A bolinha é o que a mão encontra, e é por isso que ela ocupa o primeiro plano. O que ela não mostra é o cocô, que segue saindo endurecido enquanto o ciclo continua funcionando com a mesma força.

O que observar em casa até a consulta

Nada aqui é procedimento, e nada aqui substitui o exame. É o que você vai chegar sabendo responder, porque é o que o médico vai perguntar.

  • O achado muda de tamanho? Uma dobra de pele estável é lida de um jeito. Um caroço que cresceu em dois dias é lido de outro.
  • A criança reclama quando a roupa encosta, quando senta ou no banho? A dor aponta para fissura aberta, espasmo ou infecção, e a ausência de dor não encerra o assunto.
  • Aparece só quando a criança faz força? Isso separa o prolapso dos outros achados.
  • Sai alguma coisa dali? Secreção ou pus mudam a conversa inteira.
  • Houve sangue? Quanto, quando, e se veio com dor. Sangue muda o prazo, e a lista do começo diz qual.
  • Como está o cocô nas últimas semanas? Consistência, dor ao evacuar, e quantos dias entre uma evacuação e outra.
  • Quando você viu isso pela primeira vez? Um achado de sempre e um achado de agora não pedem a mesma conversa.

Escreva as respostas no celular no mesmo dia em que reparou, porque a memória de duas semanas depois já vem arredondada. Esse conjunto pesa mais na consulta do que a descrição do formato, e é por ele que a conversa começa adiantada.

Uma observação sobre foto: ela costuma enganar mais do que ajudar nessa região, porque perde o relevo, a temperatura e a reação da criança. O que você observou ao longo de alguns dias diz mais do que a imagem.

As páginas vizinhas

Se você quiser continuar por perto, estas são as páginas do mesmo assunto.

Imagem assinatura Dra. Carolina Supino

MÉDICA · CRM-SP 135729 · Cirurgia Pediátrica · RQE 49179

Prática dedicada ao cuidado da constipação infantil.

Perguntas frequentes

O que é essa bolinha no ânus da criança?

Na maior parte das vezes é um plicoma: uma dobra de pele na borda do ânus que se forma ao lado de uma fissura e permanece depois que a ferida cicatriza. Também pode ser prolapso retal, quando aparece com o esforço e se recolhe depois, ou uma coleção de pus, quando está vermelha, quente e dolorida. Quem examina a criança é quem separa uma coisa da outra.

O plicoma na criança some sozinho?

Costuma não sumir. A dobra de pele permanece mesmo depois que a fissura fecha e a dor vai embora. Isso não significa que o tratamento não funcionou: o plicoma é o registro do que passou, sem ser sinal de doença ativa.

Plicoma em criança precisa de cirurgia?

Raramente. A dobrinha indolor e estável de uma fissura já cicatrizada não atrapalha a evacuação, e o que pede atenção é o que a produziu. Existem exceções, e elas precisam de exame: diagnóstico em aberto, fissura que segue sem fechar apesar de meses com fezes macias, dobra grande a ponto de atrapalhar a higiene, ou fístula. Quem indica é quem examinou a criança.

Criança tem hemorroida?

É incomum. A hemorroida é o achado menos provável numa criança com bolinha na região, e é justamente por isso que, quando ela aparece em idade pediátrica, a avaliação da constipação passa a olhar além do ânus.

A bolinha aparece quando ele faz força e depois se recolhe. O que é?

Esse comportamento é típico do prolapso retal, em que parte da mucosa do reto se exterioriza com o esforço e retorna. Ele é consequência do esforço repetido para evacuar, e pede avaliação nas próximas semanas.

Quando a bolinha perto do ânus é urgente?

Pronto-socorro quando há vômito esverdeado, barriga distendida e tensa, criança que parou de evacuar e está mal, febre alta com a região quente e inchada, sangramento que encharca a fralda ou a roupa, ou qualquer sangramento num bebê nos primeiros meses. Atendimento no mesmo dia quando o caroço está vermelho, quente e dolorido e cresceu em um ou dois dias, quando sai pus, ou quando a dor é contínua e não cede depois de evacuar.

Meu bebê de dois meses tem uma pelinha perto do ânus. É a mesma coisa?

Não se lê da mesma forma. Nos primeiros meses de vida, achados nessa região entram na avaliação da formação do ânus e da coluna, antes de entrarem na conta da constipação. E o corte de urgência é outro: uma pelinha indolor pede consulta nas próximas semanas, dor nessa idade é para o mesmo dia, e sangramento de qualquer volume é pronto-socorro.

Passar pomada resolve?

A pomada cuida da pele e do conforto, quando quem examinou indicou alguma. Ela não toca no que produziu o achado, que quase sempre é o cocô endurecido passando pela mesma região. Sem mudar isso, a ferida se repete e a dobra de pele continua sendo formada.

O pote de pomada no fundo da gaveta

A pelinha continua ali. Ninguém mais olha. O pote de pomada foi para o fundo da gaveta porque parou de ser necessário, e a troca de roupa depois do banho voltou a ser só uma troca de roupa. A criança faz cocô e não fala nada sobre isso, porque não houve nada a falar.

Chegar lá não depende de tratar a bolinha. Depende de tratar o que a produz, e isso tem etapas: o esvaziamento do que está retido, conduzido por quem acompanha; as fezes macias mantidas pelo tempo que a ferida pede; e o acompanhamento até evacuar ter deixado de doer por tempo suficiente para a criança acreditar nisso. É a parte mais longa, e é a que decide se a ferida volta.

A maior parte desse trabalho acontece na sua casa, entre uma consulta e outra. É por isso que ele precisa estar combinado com você, e não apenas prescrito para você.

Um cuidado assim tem calendário de reavaliação, critérios de ajuste combinados antes de serem necessários, e a parte que costuma faltar: alguém a quem perguntar no dia em que a dúvida aparece, sem esperar o próximo retorno. É o que separa um plano que se sustenta de um plano que se interrompe na primeira semana difícil.

É isso que está descrito em Nosso Cuidado: como o acompanhamento acontece, o que ele compreende e quanto custa.

Referências

As fontes deste texto, se você quiser conferir ou levar à consulta.

Mulhem E, Khondoker F, Kandiah S. Constipation in children and adolescents: evaluation and treatment. Am Fam Physician. 2022;105(5):469-478. PubMed

Rodriguez L, Ambartsumyan L, Baumgartner K, et al. American Gastroenterological Association-North American Society for Pediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition pediatric functional constipation clinical care pathway. Clin Gastroenterol Hepatol. 2026. PubMed

Davids JS, Hawkins AT, Bhama AR, et al. The American Society of Colon and Rectal Surgeons clinical practice guidelines for the management of anal fissures. Dis Colon Rectum. 2023;66(2):190-199. PubMed

Tabbers MM, DiLorenzo C, Berger MY, et al. Evaluation and treatment of functional constipation in infants and children: evidence-based recommendations from ESPGHAN and NASPGHAN. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2014;58(2):258-274. PubMed

Levitt MA, Peña A. Anorectal malformations. Orphanet J Rare Dis. 2007;2:33. PubMed

Material educativo. Não substitui avaliação médica individualizada.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Dra. Carolina Supino

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo